Em resumo
- O processo a quente é a mesma reação do processo a frio; o calor a termina em cerca de uma hora, em vez de um ou dois dias.
- Cozinhe na temperatura baixa até a panela inteira ficar translúcida, como vaselina. Você julga pelo olho, não pela língua.
- Um óleo reservado até depois do cozimento continua óleo, então você escolhe o superfat. A calculadora calcula a soda sobre os outros óleos.
- Use mais água do que no processo a frio, cerca de 2,5 vezes o peso da soda, e iogurte ou lactato de sódio se quiser que o sabão se espalhe na forma.
- As barras são seguras depois de firmes, mas ainda precisam de quatro a seis semanas numa grade para virar um sabonete duro e durável.
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O sabonete de processo a quente começa exatamente como o de processo a frio: pesar, fazer a solução de soda, bater até o traço. Depois, em vez de despejar a massa numa forma e esperar, você a cozinha. Numa panela elétrica de cozimento lento (slow cooker) na temperatura baixa, a reação que leva um ou dois dias num bloco de processo a frio termina em cerca de uma hora. Este guia traz uma receita completa com os números da calculadora, o método e como saber pelo olho quando o cozimento terminou.
O que muda em relação ao processo a frio
A química não muda. A mesma soda encontra os mesmos óleos, e o calor só faz a reação andar mais depressa. O que imaginamos como a saboaria de antigamente, um tacho sobre o fogo, era uma forma de processo a quente. Cozinhar a massa muda três coisas na prática.
O sabonete fica seguro assim que firma. A soda é consumida na panela, e não ao longo do dia seguinte, na forma.
Tudo o que é acrescentado depois do cozimento não encontra soda. Um óleo incorporado nessa hora continua óleo, então você escolhe que óleo forma o superfat (superengorduramento). Fragrâncias que fariam uma massa de processo a frio empedrar, e aditivos que a soda queimaria ou descoloriria, vão para um sabão pronto.
O sabonete é grosso e rústico. O sabão cozido não se despeja; ele vai para a forma às colheradas e é pressionado, e as barras têm um aspecto rústico e texturizado que as barras despejadas de processo a frio não têm.
O que não muda é o perigo. Até o cozimento terminar, a massa é cáustica e, no processo a quente, também está quente o bastante para escaldar.
Do que você precisa
Tudo o que está na lista do processo a frio, mais algo para cozinhar.
Uma panela elétrica de cozimento lento com temperatura baixa e tampa é o mais fácil, porque dá para ver o sabão e mexê-lo. Escolha uma grande o bastante para que a massa não passe de mais ou menos metade da altura: o sabão pode inchar enquanto cozinha. Grosso confere antes de começar: enche a cuba com água até o volume dos óleos, da soda e da água juntos, e quer pelo menos 5 cm (2 pol.) livres acima disso. Como o resto do seu equipamento de saboaria, ela nunca deve voltar a cozinhar comida. Uma panela de aço inox com tampa num forno a 77 a 82 °C (170 a 180 °F) também funciona; ela aquece de forma mais uniforme que a maioria das slow cookers, mas é mais difícil de vigiar.
Você também vai querer filme plástico, para estender sobre a panela por baixo da tampa e deixar escapar menos água, e uma forma de bloco ou de placa. O sabão cozido é grosso demais para ser pressionado direitinho em formas de cavidades pequenas e cheias de detalhes.
A água, e como manter o sabão espalhável
O sabão cozido perde água e endurece ao esfriar, e quanto mais grosso ele fica, mais difícil é colocá-lo na forma sem bolsões de ar. Por isso o processo a quente usa mais água que o processo a frio: cerca de 2,5 vezes o peso da soda, contra cerca de 2 vezes numa receita típica de processo a frio. Na calculadora, escolha a proporção água : soda e ajuste-a em 2,5. Algumas pessoas reservam um quinto dessa água e a incorporam depois do cozimento, o que solta o sabão justamente quando ele está mais duro.
Quatro acréscimos deixam o sabão cozido visivelmente mais fluido:
- Lactato de sódio, 1 colher de chá por 454 g (1 lb) de óleos, incorporado no fim do cozimento, quando, para Fisher, ele deixa o sabão muito mais fluido. Ele também deixa as barras duras mais cedo. Para 1000 g de óleos, são 14,5 g da solução habitual a 60 %.
- Iogurte natural, 1 colher de sopa por 454 g de óleos, incorporado depois do cozimento. Para 1000 g de óleos, 33,8 g.
- Glicerina, 1 colher de sopa por 454 g de óleos, incorporada depois do cozimento, quando, para Grosso, ela ajuda o sabão a escorrer para a forma. Para 1000 g de óleos, 41 g.
- Leite, como parte do líquido, ou aquecido e incorporado depois do cozimento, como na nossa barra de leite de cabra e karité em processo a quente: acrescentado nessa hora, ele nunca encontra soda fresca e as barras continuam claras.
Ponha o lactato de sódio e o iogurte na calculadora e ela conta a água que eles trazem como parte da água da receita, tirando-a da solução de soda: com os dois, 323,2 g em vez de 358,7 g. O total continua o mesmo. Só que parte dele chega depois do cozimento, quando o sabão está mais duro, que é a mesma ideia de reservar água.
Aqueça tudo o que for acrescentar depois do cozimento, e aqueça também as colheres e as espátulas. Acréscimos frios fazem o sabão quente empedrar em volta deles.
A receita
Esta é a barra do dia a dia de azeite, coco e palma, com 5 % do azeite trocados por manteiga de karité, que espera até depois do cozimento. A soda é calculada sobre os três óleos da panela, com 1 % de desconto de soda, e o karité vira o superfat.
| Ingrediente | Peso | Parte dos óleos | Quando |
|---|---|---|---|
| Azeite de oliva | 350 g | 35 % | No cozimento |
| Óleo de coco | 300 g | 30 % | No cozimento |
| Óleo de palma | 300 g | 30 % | No cozimento |
| Manteiga de karité | 50 g | 5 % | Depois do cozimento |
| Hidróxido de sódio | 143,5 g | Na solução de soda | |
| Água | 358,7 g | Na solução de soda |
Pela calculadora: 1000 g de óleos, processo a quente com a manteiga de karité marcada para depois do cozimento, 1 % de desconto de soda no cozimento e água a 2,5 vezes a soda (uma solução a 28,6 %). O lote pesa 1502,2 g antes de qualquer fragrância ou iogurte.
A calculadora põe o superfat da barra pronta em 5,3 %. Os números de qualidade dela são dureza 47, poder de limpeza 21, condicionamento 49, espuma de bolhas 21 e espuma cremosa 26, com índice de iodo 50 e INS 162: uma barra firme e equilibrada. Se você preferir não usar óleo de palma, o clássico sem óleo de palma é cozido do mesmo jeito; marque o óleo que quiser como superfat.
Cozinhe você mesmo. Com a manteiga de karité marcada para depois do cozimento, a calculadora pede 143,5 g de hidróxido de sódio e 358,7 g de água para 1000 g de óleos.
Abrir na calculadoraPor que cozinhar com 1 % de desconto em vez de 0, se o karité está lá como superfat? Porque os óleos variam. A verificação de faixas da calculadora cobre os óleos do cozimento e diz que, dependendo de onde os seus óleos ficam dentro das suas faixas de saponificação, o cozimento pode ir de 2,8 % com excesso de soda a 4,5 % com falta de soda. Conte o karité e a barra pronta fica entre 1,7 e 8,6 % de superfat, nunca do lado do excesso de soda. Cozinhe com 0 % e o pior caso cai para 0,7 %, o que deixa pouca margem. De qualquer forma, quando o cozimento fica com excesso de soda, a soda que sobra encontra o karité e transforma parte dele em sabão, e esse é um dos motivos pelos quais não se pode garantir que um óleo acrescentado depois do cozimento continue óleo.
Como ler o cozimento
O sabão de processo a quente mostra pela aparência até onde chegou. As mudanças vão de fora para dentro, porque o sabão encostado na panela quente cozinha primeiro. Quem faz sabão dá às fases o nome do que elas lembram (purê de maçã, purê de batata, vaselina), mas são rótulos aproximados, e nem todo lote passa por todas elas.
As bordas vão primeiro. Nos primeiros 15 a 20 minutos, uma faixa de sabão em volta da borda fica brilhante, translúcida e um pouco mais escura, enquanto o meio continua opaco e cremoso.
No meio do cozimento: translúcido nas bordas, ainda opaco no meio. Dobre as bordas para o centro e continue cozinhando.
Ele sobe. O sabão pode inchar e espumar. Se crescer mais que cerca de duas vezes o volume inicial, o calor provavelmente está alto demais: baixe-o mexendo e, se puder, diminua a temperatura.
Ele fica duro e empelotado. À medida que a mudança avança para dentro, a massa inteira engrossa até virar algo como purê de batata, com manchas translúcidas e opacas lado a lado. Dobre as bordas para o centro toda vez que conferir, para que o lote cozinhe por igual.
Ele fica límpido e brilhante. Por fim, a massa inteira fica translúcida, brilhante e um pouco elástica, como vaselina. É o fim do cozimento. Numa slow cooker na temperatura baixa, isso em geral leva cerca de uma hora, mas as slow cookers variam, e o tempo também: as receitas de Grosso preveem três horas na temperatura baixa, conferindo a cada 30 minutos.
Pronto: translúcido por inteiro, sem estrias opacas ou cremosas quando você dobra a massa.
Dá para saber que está pronto sem provar. Dobre o sabão com a espátula e olhe o que sobe do fundo e do meio: se você vir estrias opacas e cremosas, ele precisa de mais tempo. Se o óleo se acumular na superfície ou vazar líquido, o lote se separou: mexa bem e continue cozinhando. Na dúvida, dê mais 15 minutos. Cozinhar um pouco mais um lote já pronto só o resseca um pouco.
O método
- Prepare-se. Coloque os óculos, as luvas e as mangas compridas. Pese todos os ingredientes, tire crianças e animais da cozinha e ligue a slow cooker na temperatura baixa para ela ir esquentando.
- Faça a solução de soda. Acrescente o hidróxido de sódio à água, nunca a água à soda, e mexa até dissolver. Ela esquenta muito e pode passar de 90 °C (194 °F). Deixe esfriar por alguns minutos; a temperatura em que você a junta aos óleos importa muito menos do que no processo a frio, desde que as duas estejam abaixo de cerca de 77 °C (170 °F).
- Derreta os óleos do cozimento. Derreta o azeite e os óleos de coco e de palma na slow cooker. Deixe a manteiga de karité de lado.
- Bata até o traço. Despeje a solução de soda nos óleos e bata com o mixer até a massa chegar ao traço (o guia do traço mostra o que observar). Uma massa bem emulsionada tem menos chance de se separar ao esquentar.
- Tampe e cozinhe. Estenda filme plástico sobre a panela, ponha a tampa e cozinhe na temperatura baixa. Confira a cada 15 a 20 minutos, mas não levante a tampa mais do que o necessário: a cada vez, escapam calor e água.
- Incorpore as bordas. Ao conferir, dobre as bordas translúcidas para o centro e baixe a espuma mexendo.
- Cozinhe até ficar translúcido. Continue até o lote inteiro parecer vaselina, como descrito acima.
- Acrescente os extras. Desligue o calor. Incorpore a manteiga de karité, que derrete no sabão quente, e o iogurte e o lactato de sódio, se for usá-los. Deixe o sabão esfriar até abaixo de cerca de 82 °C (180 °F) e então incorpore a fragrância e a cor, se houver.
- Encha a forma. Coloque o sabão na forma às colheradas, pressionando-o nos cantos, e bata a forma na bancada para tirar os bolsões de ar. Dê textura ao topo com as costas de uma colher.
- Desenforme, corte e deixe curar. Quando tiver esfriado e firmado, muitas vezes em poucas horas e com certeza até o dia seguinte, desenforme e corte em barras. Deixe-as em cura numa grade por quatro a seis semanas.
Depois do cozimento: superfat, aroma e cor
O superfat. Reservar um óleo só funciona no processo a quente. No processo a frio, a maior parte da soda ainda não reagiu no traço, então o óleo acrescentado nessa hora vira sabão junto com o resto, e o superfat é uma mistura de tudo o que está na panela. Depois de um cozimento de processo a quente, o óleo acrescentado continua óleo, pelo menos por um tempo. Escolha um que dure: as gorduras saturadas e monoinsaturadas duram mais, então karité, manteiga de cacau, azeite, abacate e girassol alto oleico são boas escolhas, e os óleos ricos em ácido linoleico, como o de cânhamo e o de semente de uva, não são. O guia de superfat explica a aritmética.
Aroma. O calor expulsa a fragrância, então deixe o sabão esfriar abaixo de cerca de 82 °C (180 °F) antes de ela entrar, e incorpore-a depressa: o sabão endurece ao esfriar. Alguns livros dizem para escolher, para o processo a quente, fragrâncias com ponto de fulgor acima de cerca de 66 °C (150 °F). O ponto de fulgor é um número de segurança contra incêndio, a menor temperatura em que um líquido libera vapor suficiente para pegar fogo, e não diz com que rapidez um aroma vai evaporar do sabão quente. Toda fragrância perde mais quanto mais quente estiver o sabão quando ela entra, e os óleos cítricos, os mais voláteis, somem primeiro. O guia de aromas trata das quantidades e dos limites.
Cor. Misture antes os corantes com um pouco de óleo ou de água mornos, para que se espalhem pelo sabão grosso sem estrias. Para um swirl, divida o sabão cozido em recipientes aquecidos e colora cada um; isso precisa ser feito depressa, antes que o sabão endureça. Grosso trata cada cor como um pequeno lote próprio, preparado enquanto o sabão cozinha. Ela colore uma pequena porção e a trabalha de volta na sua parte, depois coloca as cores na forma às colheradas, em blocos ou faixas, e passa um palito de hashi por elas até o fundo. Ela calcula em mais ou menos meio a meio a chance de que um corante que falha no processo a frio sobreviva ao processo a quente, e acha que ele precisa de menos corante.
Forma e cura
As barras de processo a quente têm um aspecto rústico e texturizado, e o melhor é planejar a favor dele, e não contra: um topo ondulado, uma textura de colher, ervas secas salpicadas. Se você quer barras mais lisas, acrescente o iogurte ou o lactato de sódio, mantenha a água a 2,5 vezes a soda e trabalhe depressa enquanto o sabão está quente.
Desenforme quando o sabão tiver esfriado e firmado. As barras já podem ser usadas com segurança, porque o cozimento consumiu a soda, mas ainda não estão no seu melhor. O sabão de processo a quente costuma ser feito com mais água que o de processo a frio, para continuar fluido, e leva pelo menos o mesmo tempo para secar. Deixe as barras em cura numa grade, com ar circulando em volta, por quatro a seis semanas, mais perto de seis com a água extra desta receita, e pese uma de vez em quando: quando o peso parar de cair, ela está pronta. O guia de cura traz mais detalhes.
Quando dá errado
Pelotas e pedaços mais claros nas barras. As bordas cozinharam mais depressa que o meio. Da próxima vez, dobre as bordas para o centro toda vez que conferir.
Duro demais para entrar na forma. Água de menos, ou água demais evaporada no cozimento. Use água a 2,5 vezes a soda, mantenha o filme plástico por baixo da tampa, acrescente iogurte ou lactato de sódio e aqueça tudo o que acrescentar.
Separou na panela. Um problema de mistura, fácil de resolver: mexa até juntar de novo e continue cozinhando.
Subiu para fora da panela. O calor estava alto demais ou a panela, cheia demais. Baixe o sabão mexendo na hora e diminua a temperatura.
O aroma está fraco. O sabão estava quente demais quando a fragrância entrou. Da próxima vez, deixe esfriar mais.
Receitas para experimentar
Todas as receitasFontes
As notas sobre estas fontes estão na página em inglês, com as palavras conferidas em cada documento.
- The Complete Photo Guide to Soap Making . David Fisher, Creative Publishing International , 2018.
- The Everything Soapmaking Book, 3rd edition . Alicia Grosso, Adams Media , 2013.
- A Hot Process Soap Tutorial: How to Hot Process Soap in a Crockpot . Modern Soapmaking .
- Curing soap . Classic Bells, Soapy Stuff .
- Superfat . Classic Bells, Soapy Stuff .
- 29 CFR 1910.106(a)(14), Flammable liquids: definitions . US Occupational Safety and Health Administration .